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Sífilis – Diagnóstico e Tratamento

Sífilis – Diagnóstico e Tratamento

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O que é a sífilis?

É uma infeção bacteriana, a maioria das vezes sexualmente transmissível (IST), com possibilidade de transmissão congénita, causada pela bactéria Treponema pallidum.

Formas de apresentação

Sífilis primária

Cerca de 3-4 semanas após a exposição, aparece uma úlcera indolor no local da inoculação, acompanhada de adenopatia satélite (sífilis primária).

Sífilis secundária

Se não for tratada, esta lesão cicatriza espontaneamente e, 6-8 semanas depois (segundo período de incubação), aparece a fase secundária. Esta fase caracteriza-se pelo aparecimento de febre e síndroma constitucional; lesões cutâneas (roséola sifilítica e, posteriormente, sifilides papulares) com envolvimento das palmas e plantas, que não são pruriginosas e, muitas vezes, lesões mucosas (placas mucosas e condylomatalata). Complicações sistémicas como uveíte, síndroma nefrótico e outras são possíveis.

Sífilis terciária

Mais tarde, estas manifestações remitem e a doença entra na fase de latência. Se não forem ratados, cerca de 30% dos doentes evoluem para a fase terciária com envolvimento neurológico (neurossífilis), cardio-aórtico e, mais raramente, formação de gomas.

Tratamento

A penicilina benzatínica é o antibiótico de eleição.

  • 2,4 miilhões de UI em toma única na sífilis com menos de 1 ano de evolução (primária, secundária e latente precoce).Se alergia à penicilina – Doxiciclina: 100 mg de 12/12 h durante 14 a 21 dias.
  • 2,4 milhões de UI/semana, durante 3 semanas, na sífilis com mais de 1 ano de evolução (sífilis tardia).Se alergia à penicilina – Doxiciclina: 100 mg de 12/12 h durante 28 dias.
  • Os casos com suspeita de neurossífilis requerem abordagem hospitalar para penicilinoterapia endovenosa.

Como se diagnostica

O teste de rastreio actualmente indicado é um teste treponémico (ex: anticorpo antitreponémico, FTA-ABS).

Este teste indica se houve ou não contacto com a bactéria causadora, mas não informa se a doença está ou não em actividade. Essa informação é dada pelo VDRL.

Se o teste treponémico for negativo exlcui-se o diagnóstico de sífilis. Se for positivo, a actividade deve ser confirmada por um teste não treponémico (VDRL ou RPR).

Os casos com os 2 testes positivos (anticorpo antitreponémico e VDRL) são considerados activos. Se o teste treponémico for positivo e o VDRL negativo, trata-se de infeção antiga não activa (“cicatriz imunológica”).

Como é feito o seguimento após diagnóstico e tratamento

Os doentes devem repetir testes não treponémicos (Ex: VDRL) aos 6 e 12 meses, sendo o critério de cura uma descida dos títulos superior a 4 vezes o valor inicial.

O teste treponémico não deve ser usado para seguimento porque os anticorpos detetados nos testes treponémicos persistem normalmente durante toda a vida apesar do tratamento, a menos que o tratamento tenha ocorrido no início da infeção.

Aproximadamente 15%–25% dos doentes tratados para a sífilis primária podem vir a negativar o teste treponémico 2 a 3 anos após o tratamento.

Orientação dos doentes

  • Notificação obrigatória no SINAVE.
  • Rastreio de contactos sexuais.
  • Rastreio de outras DST, nomeadamente HIV e hepatites, em todos os casos positivos.

Algorítmo para o rastreio da sífilis

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