Os diuréticos são altamente efectivos na redução do risco de eventos cardiovasculares, conforme amplamente documentado nos resultados dos ensaios clínicos.
Num estudo publicado em 2019, que avaliou 4.9 milhões de hipertensos tratados em monoterapia com as principais classes terapêuticas, quando se avaliou a eficácia comparativa da HCTZ, indapamida e clorotalidona na redução dos eventos cardiovasculares, não se encontraram diferenças. Os diuréticos, quando comparados com as outras classes terapêuticas, foram superiores aos IECA e idênticos aos ARA II.

Dado não haver diferenças entre a HCTZ e os diuréticos tiazídicos-like (indapamida e clorotalidona) na redução do risco de eventos cardiovasculares, a seleção do diurético é determinada por:
Os diuréticos tiazídicos e tiazídicos-like vão perdendo eficácia à medida que a TFG declina de 40 para 30 mL/min e são ineficazes quando a TFG é <30 mL/min.
Nestas condições, deve utilizar-se um diurético de ansa (privilegiar a furosemida retard 60 mg para minimizar o efeito de urgência urinária).
Os resultados de um estudo envolvendo 720.000 hipertensos, publicado no JAMA em 2020, confirmou os resultados de outro grande estudo, mostrando não haver diferenças na eficácia da HCTZ versus clorotalidona, na redução do risco de enfarte do miocárdio, internamento por insuficiência cardíaca e AVC.
A diferença está no perfil de segurança da clorotalidona que se associou ao aumento significativo do risco de hipocaliémia, hiponatrémia, insuficiência renal aguda, doença renal crónica e diabetes de novo.

Estes resultados não suportam algumas recomendações para a preferência da clorotalidona no tratamento da hipertensão em detrimento da HCTZ.
Bem pelo contrário, por razões éticas e de segurança, a HCTZ deverá ser usada em substituição da clorotalidona, face à idêntica eficácia da HCTZ na redução do risco de eventos cardiovasculares.

António Pedro Machado
Francisca Melo Ferreira
Carlos Rabaçal
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