BRCA é o acrónimo de BReast CAncer gene. Os genes BRCA1 e BRCA2, contrariamente ao que o nome parece indicar, são genes supressores tumorais. Eles produzem proteínas que reparam as lesões do DNA, mantendo a integridade do genoma, e regulam a divisão celular, impedindo que as células se multipliquem de forma descontrolada.
É a acumulação de danos não reparados no DNA, em consequência da disfunção ou ausência destas proteínas reparadoras, que pode transformar uma célula normal numa célula cancerígena.
Ter uma mutação do BRCA significa que se tem um risco aumentado de desenvolver certos tipos de cancro, mas não é inevitável que se venha a ter um cancro.
Todas as células possuem duas cópias de cada um destes genes — uma cópia herdada da mãe e outra do pai. As pessoas podem herdar de um progenitor uma mutação do BRCA, mas possuem a cópia normal herdada do outro. Ter uma cópia normal de qualquer um dos genes é suficiente para se processar a reparação do DNA e impedir que a célula tenha transformação maligna.
Assim se explica porque razão 30% das mulheres portadoras de uma das mutações nunca venha a ter cancro da mama.

Com o cancro do ovário, mais raro, a probabilidade de uma mulher portadora de uma das mutações NÃO vir a ter cancro é ainda maior: 60% para mutação BRCA1 e 80% para a BRCA2.

As pessoas que herdam uma destas mutações (BRCA1 ou BRCA2) têm aumento do risco para vários cancros – principalmente cancros da mama e ovário na mulher; e cancro da mama e da próstata no homem – persistindo divergências relativamente ao risco de outros cancros.
Subsistem dúvidas sobre a influência do sexo (ambiente hormonal) na ocorrência de cancros nos portadores destas mutações, apontando alguns estudos para que o risco seja maior em mulheres.
Os homens portadores de mutações do BRCA1 e BRCA2 têm um aumento ligeiro do risco de cancro da próstata, comparativamente com os que não têm esta mutação. Porém, se vierem a ter cancro, estes tenderão a ser mais agressivos e a ter pior prognóstico, principalmente se a mutação BRCA2 estiver presente.
A mutação do BRCA2 aumenta o risco 2 a 3 vezes e favorece o aparecimento do cancro em idades mais jovens, comparativamente com os que não têm esta mutação.
A incidência destas mutações em homens com cancro da próstata metastizado varia entre 11% e 33%, sendo significativamente mais elevada do que nos homens com doença localizada.
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