/
/
Nova classificação da pressão arterial

Nova classificação da pressão arterial

Autor:admin

As três categorias da pressão arterial

As directrizes de 2024 para a hipertensão da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) e a Norma da DGS de 3/2026 simplificaram a classificação da pressão arterial em adultos (excluindo as grávidas) em três categorias:

  • PA não elevada;
  • PA elevada; e
  • Hipertensão (ou sob medicação).

Esta nova classificação baseia-se na evidência de que o risco de doença cardiovascular atribuído à pressão arterial é contínuo, ou seja, não há uma linha divisória a separar normotensão de hipertensão. Neste entendimento, a categoria correspondente a PA <120/70 mmHg é designada de “PA não elevada” em lugar de PA normal.

O rastreio e diagnóstico devem ser feitos por avaliação periódica da pressão arterial em gabinete, complementada por auto-medição (AMPA) ou monitorização ambulatória da pressão arterial (MAPA).

O diagnóstico de hipertensão continua a ser feito quando a PA no consultório é ≥140/90 mmHg (confirmada por AMPA/MAPA quando necessário).

Os limiares de diagnóstico da MAPA indicados na figura anterior são os da PA média do período do sono. A PA em vigília, quando ajustada para a PAS média do sono, associa-se fracamente com a mortalidade por todas as causas e não tem relação com a mortalidade cardiovascular. De todos os parâmetros derivados da MAPA, a PAS média do sono é o que tem o mais elevado valor prognóstico (Lancet 2023; 401:2041-50 e Eur Heart J. 2018 Dec 14;39(47):4159-4171).

Rastreio de PA elevada e hipertensão

O rastreio da PA não elevada, PA elevada e hipertensão é feito, habitualmente, com a medição da PA no consultório e o diagnóstico confirmado por AMPA/MAPA, quando indicado.

  • Se PA ≥ 180/110 mmHg, aceita-se o diagnóstico de hipertensão e deve iniciar-se terapêutica anti-hipertensiva.
  • Se a PA estiver elevada (PA entre 120-39 mmHg) ou for ≥ 140/90 mmHg, o diagnóstico deve ser confirmado com AMPA ou MAPA (idealmente).

Recomendações para tratamento

  • As intervenções para a modificação de estilos de vida são consideradas a primeira linha do tratamento.
  • Os indivíduos incluídos na categoria “PA elevada” serão candidatos a tratamento farmacológico se o risco CV a 10 anos for ≥10% e a PA persistir ≥ 130/80 mmHg após intervenções modificadoras de estilos de vida.
  • De uma forma geral, recomenda-se reduzir a pressão arterial sistólica (PAS) para valores entre 120-129 mmHg em doentes tratados, desde que bem tolerados.
  • A medição da PA fora do consultório (AMPA e MAPA) é recomendada para o diagnóstico e monitorização dos efeitos do tratamento.

Cálculo do risco CV

O cálculo do risco cardiovascular nos indivíduos incluídos na categoria “PA elevada”, baseia-se na presença ou ausência de determinadas condições de risco (vide imagem). Na ausência de qualquer dessas condições, o risco deve ser calculado utilizando o SCORE.

SCORE2 – para indivíduos com idades compreendidas entre 40 e 69 anos.

SCORE2-OP – para indivíduos na faixa etária entre os 70 e 89 anos.

A reter

Gostou deste artigo?

Partilhe